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quarta-feira, 16 de maio de 2018

minhas águas já se aquietam...



na saudade onde me aconchego
as lembranças são moinhos de vento
a rodar sem parar
fico a sentir distante a primavera
e meu rio pronto a desaguar no mar
dum outro lugar
colho flores p'lo caminho
assento meu olhar no poente
numa fugaz eternidade me sinto gente,
gente que traz saudade
encharcada de sonho, esquecendo
a realidade,
lembranças que a cada dia se repetem
sentidas e distantes, num mar
de marés
a cantar em mim os verdes  da infância
descalços os pés
e o olhar doce de criança.

quantos porquês ainda procuro
faço o caminho da foz à nascente
caminho de lembranças, os pés em chão duro
mas levo comigo o sol na mente

povoo a minha memória de laranjais floridos
e deixo-me na penumbra desses tempos saudosos
onde os sonhos eram desmedidos
e meus cabelos negros sedosos.
as horas se alongam, perdeu-se meu verão
é agora inverno de solidão
deserto na minha alma e silêncio pesado,
perdi o caminho, é agora de cinzento toldado
meus dedos são asas e estão de partida
levo a infância...e na memória uma vida.

minhas águas já se aquietam...

natália nuno
rosafogo






terça-feira, 15 de maio de 2018

é louca esta saudade...




Tenho saudade nem sei de quem
Levo a vida a pensar nisto
Sei lá donde a saudade me vem?!
Mas chega e eu não lhe resisto.

Saudade louca sempre a crescer
não me deixa entregue à solidão
Saudade que mais ninguém quer
sem ela m'espírito vagueia orfão

Deixo-me no sono branco d'águas
saudade é ave que canta no ramo
e o rio é q'esconde minhas mágoas

Saudade amargo doce em m'coração
q'inventa sonhos e sabe a quem amo
a quem dou a mão e partilho solidão.

natalia nuno
rosafogo
2001

Grito em silêncio...



trago meu grito rouco
insuportável, a doer
num desespero louco
ah! quem me dera saber
dar voz a este poema errante
mas nenhuma inspiração neste instante.
nesta primavera breve, nenhum sentimento
preciso, até a saudade é fugidia
eco do  vento, melancolia
esqueci minha voz
ignoro a cor do olhar
a lágrima atroz
que não desprende
é talvez um misto de saudade
a calar, este grito
sem gritar.
ave presa, a querer voar.

voar, voar...ser de novo pequenina
crescer, viver em liberdade
ser viandante peregrina
num tempo de saudade,
esta sede que trago
ousar-me partir à aventura
rasgar o amargo da solidão
e soltar este grito que calo
em vão.

natália nuno
rosafogo


sábado, 12 de maio de 2018

oásis de ternura...


a saudade sempre me procura
e eu numa ânsia me entrego
é meu oásis de ternura
traz-me o sonho ardente a que me apego
deixa-me a viver nos aromas da infância
numa embriagadora essência de luz e água
num pomar de frutos e pássaros em frenesi
perto da menina, que nunca esqueci

numa indomada alegria, esqueço a mágoa
nasce em mim o sonho, a doçura e o prazer
e eterna me sinto nesse instante
a ponto de pensar que não vou mais sofrer
sigo adiante, celebrando o viver
afasto de mim as sombras
esqueço as marcas na pele
meu sonho abarca uma distância maior
acalmo a intempérie e, rendo-me ao amor

sento-me junto à solidão da trepadeira
a ver a tarde prenhe de luz
alheia ao rumor da vida,
só de mim se abeira a saudade
numa ânsia de tocar-me
e puxar-me para a outra margem
a vestir-me com verdes da primavera

como se ainda, o amor estivesse à minha espera.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 9 de maio de 2018

já não sei se lembro...





na poeira do tempo minhas pegadas
continuo no meu entardecer,
trago as palavras caladas
por não as saber dizer
apenas murmuro as mágoas em tom
plangente, mas nem do coração ouço
qualquer som...também ele nada sente

melancolia de quem vai acenando à vida
deixando para trás páginas cheias
de viver e sonhar amor
que esvoaça incerto, não tendo por perto
das suas mãos o calor...

e hoje é como se o tempo se soltasse
esquecesse a minha já marcada face
e eu viesse ao mundo outra vez
só por fruir e amar a vida...talvez!

já toda me embaraço
reinventando memórias loucas
lembrando passo a passo
as carícias, os beijos das nossas bocas
fosse a nossa vida nada, sem amor e entendimento
não faria a saudade no meu coração assento
essa saudade que me escreve
e me lembra o que deve e o que não deve
faz dançar o coração, uma valsa lenta
e,  a sonhar sempre me tenta.

natália nuno
rosafogo






terça-feira, 8 de maio de 2018

homenagem a natalia nuno





Um poema com que me homenagearam duas amigas que eu estimo...no dia do lançamento do meu 1º livro «Pesa-me a Alma»...faz sete anos.


É um campo verdejante
onde a rosa é fogo
que inala fragrâncias amenas
é a luz na alma
que recorda a infância serena
numa guitarra a lacrimejar saudade!
Uma cadeira que baloiça
nos orvalhos onde a poesia se derrama
pétalas no auge da felicidade
uma lágrima em sulcos
com o fulgor de um imenso sorriso
nas rimas em espontaneidade…
Nos desígnios pintados no céu
PESA-ME A ALMA
a veste do sonho na realidade alcançada,
a conquista das páginas
que para nós ficam para a eternidade…
Um olhar de força em plena amizade
um arrebatar de verdade
na imensidão de uma mulher
que se ama com sinceridade!

Poema de Ana Coelho com a leitura de Manuela Fonseca

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 4 de maio de 2018

perto da foz...




faço balanço, a vida foi passageiro
instante, hoje estou entre a luz e o chão
meu andar é hesitante
e a dureza do tempo varreu meu coração
como uma tempestade, agora é nele
rainha a saudade...
minha memória esconde recordações
como grilos que se escondem nas moitas
p'lo verão,
e, no meu coração
as saudades daqueles tempos primeiros,
meus sonhos besouros nos olhos verdes
dos salgueiros...
tudo me lembra a menina em mim cativa
sempre a minha mão escrevendo a afaga
quero-a sempre em mim viva
por mais saudade que me traga

queira ou não queira, quero-lhe demais
a saudade dela se funde em mim
é ela que escuta meus ais
é nela que me vejo nesta aventura
a chegar ao fim
faço o balanço e rememoro
nas horas lentas, mas que se esquivam
vivo, faço e desfaço, mas já não choro,
é inverno a estação a que me abeiro
deixei meus olhos no outono
para trás ficou um sonho inteiro.

corre a tarde a meu lado
a nostalgia habita o meu peito
tudo o tempo tem gerado, tudo me tem dado
mas nem tudo foi bom, nem perfeito.
olho para o dia que vai a meio
a solidão empresta-me um pouco de liberdade
não a temo, não lhe tenho medo
traz-me um gosto doce a saudade.

natalia nuno
rosafogo