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domingo, 21 de maio de 2017

ao nascer da aurora...



adivinha-se o nascimento irresistível
da alvorada no imenso horizonte campestre
o meu pensamento relembra o tanto amor
que me deste,
perscruto a paisagem como que à espera
do eco da voz conhecida
do amor da minha vida...
ao fundo da colina,
vejo-me ainda menina
a aurora cresce hora a hora
enquanto o meu pensamento relembra
as minhas mãos perdidas nas tuas mãos,
nossos dedos entrelaçados
dois corações que se encontram enamorados
sinto até medo de espantar a felicidade
rezo para fazer o tempo parar
e com os olhos húmidos de ternura
lembro-te com saudade
enquanto teu braço m' rodeia a cintura

de repente fica o sonho nublado
sinto o peso da idade os dias de solidão
tremo como um pássaro apanhado
e olho longamente com olhos de sonho
a querer abraçar-te, para que o sonho não
seja mais um para sempre perdido
e num gesto de ramo florido
de tília ou de jasmim
dizer-te que ainda te amo tanto
quanto me amas a mim...

natalia nuno
rosafogo







sexta-feira, 19 de maio de 2017

quando a tarde morre...





nada mais belo que as árvores a dançar ao vento
e um céu azul semeado de nuvens brancas,
a vida é feita de luz e sombra, feita de espaços
de gestos ternos ... beijos e abraços
frágil, ardente quando o amor consente,
com prodigiosos acasos do destino
basta sorrir para receber em troca
outro sorriso... a combater o vazio
quando nada acontece,
sorrir porque é grato recordar
e aceitar, que dos rostos
já pouco se reconhece,
mas a vida sempre devolve  o sonho,
o desejo, e ainda um pouco de paixão
apesar do coração me pisar o peito
sentirás sempre o seu pulsar
e o meu amor derrubará qualquer
tristeza no teu olhar...

voam aves livres no meu pensamento
arautos que me trazem saudades
há árvores a dançar ao vento
e rosas pálidas nas proximidades

cairá meu coração onde ninguém o espera
cairá desmoronado no outono de folhas caídas
quem sabe ao nascer da primavera,
ou ao dourar das espigas...
quebrar-se-à em pedaços
e como pássaro sem asa por entre sombras desvanecidas
morrerá nos teus braços

natália nuno
rosafogo











quarta-feira, 17 de maio de 2017

chove-me na alma...



vi-te olhar a luz lenta que se perdia
olhei as primeiras sombras da solidão
a cada dia com mais precisão
olho-te e a dor é forte
é o meu sangue que sente
que nos há-de separar a morte

de repente um aroma a recordar-me
palavras doces, trémulas e remotas
que me abrem as janelas da memória
e me conduzem ao tempo do sonho
nele somos a juventude...
volto à quietude, onde amiúde
o recordar do teu sorriso me provoca
estremecimento

pressentimento frio
sussurra ao meu ouvido
e com audácia fala-me da vida por um fio
tanto tempo decorrido... e agora a solidão
crescente... é meu sangue que sente
esta vida que nos emudece
este outono de pegadas vacilantes
este querer lembrar que já esquece
neste dia, na sombra  deste instante
com saudade de todos os instantes...
esta obstinada desordem, esta angústia sustida

nada me resta, traz-me a morte seduzida...

natalia nuno
rosafogo



amor dávida plena...



esperava um pouco de amor
palavras ditas com ternura
só... neste silêncio de inverno esperava uma mão,
um sorriso, recuperar recordações desaparecidas
e murmurava...mergulhada na escuridão.
através das cortinas impelidas pelo vento
deixava que entrasse a esperança secreta e imconfessada
e queria muito de novo ser amada,
esquece o que há muito foi
continua um pouco triste, porque a verdade dói.

o coração ainda lhe transborda d'amor
deixa-se a meditar para aquietar a dor,
as palavras vão perdendo seu significado
aguarda o sono em vão de pesadelos povoado

é quase a frescura da manhã
ainda traz o sonho da juventude
espanta o frio que chegou à sua vida
sente a liberdade dos rouxinóis que vivem em si
na alma um bem-te-vi
canta a cada instante o fogo da felicidade,
espera um pouco de amor
e no bosque nocturno do seu corpo
com um fervor quase de adolescência
vive abraçada à saudade.

natalia nuno
rosafogo







segunda-feira, 8 de maio de 2017

lembranças ditosas



à noitinha o último canto da cotovia
e no meu coração como flor,
o amor nascia
os sons nostálgicos da tarde não morrem
vivem na memória de verdade
sou a jovem que recorda, o adulto que me ouve
sou a razão do meu coração pulsar
e aquela que com a saudade se comove,
trago ainda o odor do tomilho, o cheiro
da madrugada,
que são essência em mim enraizada
trago lembranças seduzindo-me com doçura
perfeitas, ditosas,
que são trinados de melros
com ternura...
abrem as portas do passado
trazem-me a brisa do salgueiro
o marulhar das águas do rio amado
e o sonho dum amor... o primeiro!

rememoro cada fruto silvestre
cada um com sua sensual fragrância
o êxtase de cada dia, o sol que ainda hoje
me veste enamorado, como quando eu era criança.
vive em mim toda esta felicidade
estremece a brisa quando me vê,
quando toca meu ouvido,
o tempo ficou longe, andam imagens rasgadas
sem sentido... mas será sempre eternidade
que levanta a primavera no meu coração
ajuda a sair desta saudade sem portas
até que minhas mãos estejam mortas.

o meu silêncio põe e dispõe
e assim me vai enclausurando
enquanto um cisne branco ma minha memória flui
e um lago de palavras vai murmurando
sedução que ao coração aflui...

natalia nuno
rosafogo








quarta-feira, 3 de maio de 2017

sonhos...



beijos quentes e derramados
em bocas murmurantes
girassóis abertos na noite
aromas de corpos gritantes
agora... só na imaginação
foi-se o tempo da aurora
resta a recordação

perdidos como um grito no vazio
os corpos murchos,em total obscuridade
o peito frio, e nele a saudade...

e na esperança contínua do desejo
vai-se acabando a vida, aceita-se o nada
vai-se quebrando o medo com beijos
com ternura reforçada
com palavras que se perdem
alguma ilusão, a mesma loucura
o mesmo sonho e ainda
alguma paixão, a mesma loucura
que não finda
o mesmo amor, neste amplo corredor
que é a vida,
e assim o destino se cumpria,
em harmonia
e eu de mim esquecida...


natália nuno